Rock Nacional: Como e Quando Surgiu o Rock com a Nossa Cara

Oi? Samba na história do rock nacional? Sim. Muitas pessoas não fazem a mínima ideia, mas o rock’n’roll começou a aparecer por aqui na década de 50, com uma pitada de samba.

Foi quando Nora Ney, um dos grandes nomes do samba-canção, resolveu apostar na música “Rock Around the Clock”, de Bill Haley & His Comets!

Tudo ainda era experimental; na verdade, ninguém compunha rock, apenas faziam covers. No entanto, foi aí que a semente do rock nacional foi plantada.

Primeiros Movimentos do Rock no Brasil

À medida que a fase experimental avançava, surgiu a própria forma de criar e fazer rock no Brasil.

Podemos citar dois movimentos de grande expressão que marcaram a origem do rock brasileiro: a Jovem Guarda e o Movimento Tropicália.

Esses movimentos deram vida a grandes compositores e cantores que hoje são nomes expressivos no cenário do rock nacional.

A Jovem Guarda

A Jovem Guarda foi um movimento cultural e musical dos anos 60 que deixou uma marca inesquecível na história da música brasileira.

O termo “Jovem Guarda” começou a ser usado em 1965, quando estreou o programa de TV homônimo na TV Record de São Paulo.

A origem exata do termo é nebulosa, mas acredita-se que tenha sido inspirado em um discurso do líder soviético Lênin, que afirmou: “O futuro pertence à jovem guarda, porque a velha está ultrapassada”.

Influências Musicais

Os músicos da Jovem Guarda foram influenciados pelo rock norte-americano das décadas de 50 e 60, pelo rock brasileiro do início dos anos 60 (com artistas como Celly e Tony Campello) e pela febre musical dos Beatles.

O termo “iê-iê-iê” foi usado para descrever o rock brasileiro dessa época, inspirado por músicas como “She Loves You”, em que os Beatles repetiam “yeah-yeah-yeah”.

Apresentadores do Programa

Roberto Carlos comandava o programa “Jovem Guarda”, acompanhado de seus amigos Erasmo Carlos e Wanderléa.

A ideia de convidar Erasmo e Wanderléa para dividir a apresentação partiu do próprio Roberto Carlos.

Artistas em Destaque

A lista de músicos que se apresentavam no programa era extensa e incluía: 

As bandas Golden Boys, The Fevers, Renato e seus Blue Caps e Os Incríveis.

Os Cantores Jerry Adriani, Wanderley Cardoso, Nilton César, Eduardo Araújo, Sérgio Reis, Ronnie Cord, Nilton César, as duplas Leno e Lilian e Os Vips e o Trio Esperança

As Cantoras Martinha, Vanusa, Rosemary, Silvinha, Waldirene.

Entre outros artistas.

Ronnie Von, conhecido como o “Príncipe da Jovem Guarda”, teve um programa que contrastava com o sucesso da Jovem Guarda.

Rock Nacional

O Pequeno Mundo de Ronnie Von

Convidado pela TV Record, Ronnie Von apresentou seu próprio programa chamado “O Pequeno Mundo de Ronnie Von” em 1966.

Esse programa era notável por conter as primeiras demonstrações de influência psicodélica na TV e na música do Brasil.

Enquanto a Jovem Guarda era liderada por Roberto Carlos, Ronnie Von ganhou destaque com sucessos como “Meu Bem”, uma versão da música “Girl” de Lennon e McCartney.

Além de sua carreira musical, Ronnie também atuou em filmes e novelas, escreveu um livro autobiográfico e apresentou diversos programas de televisão ao longo dos anos.

O programa de Ronnie Von, no dia 15 de outubro de 1966, teve um momento crucial na história da música brasileira.

O grupo, originalmente chamado de O’Seis, se apresentou pela primeira vez com o novo nome que os tornaria conhecidos: Os Mutantes.

A sugestão para o novo nome veio de uma brincadeira irônica de Alberto Helena Júnior, produtor do programa O Pequeno Mundo de Ronnie Von.

Ele propôs o nome “Os Mutantes” a Ronnie Von, que estava lendo o livro O Império dos Mutantes, de Stefan Wul, na época.

Ronnie Von gostou da ideia e apresentou-a ao grupo, que a aprovou imediatamente.

Sucesso e Produtos Marcantes

O sucesso do programa levou ao lançamento de diversos produtos com as marcas Jovem Guarda, Ternurinha, Tremendão e Calhambeque.

O programa transmitia ao vivo apenas para São Paulo, enquanto outras cidades acompanhavam a Jovem Guarda com alguns dias de atraso em fita gravada.

O Movimento Tropicália

O Movimento Tropicália

A Tropicália, também nos anos 60, foi um movimento cultural super diversificado e aberto, que densificou a música popular brasileira com suas opiniões e letras críticas.

A Tropicália foi um movimento cultural brasileiro da segunda metade da década de 1960, super diversificado e aberto, que densificou a música popular brasileira com suas opiniões e letras críticas e que deixou sua marca na música e em outras formas de arte.

Origens e Estilo

A Tropicália (ou Tropicalismo) foi uma fusão ousada de elementos da música popular brasileira, do rock, do samba, do baião, do rock psicodélico e até mesmo do iê-iê-iê.

Seu objetivo era aproximar a música brasileira da cultura popular, criando uma estética radical que mesclava tradições locais com tendências estrangeiras.

Inovações Musicais

A Tropicália representou uma renovação no cenário musical brasileiro. Artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes e Tom Zé experimentaram e fundiram gêneros musicais de maneira única.

O lançamento do icônico LP “Tropicalia ou Panis et Circencis” em 1968 marcou o ápice desse movimento.

Influência em Outras Artes

Além da música, a Tropicália influenciou outros campos artísticos:

Hélio Oiticica nas artes plásticas.

Glauber Rocha no Cinema Novo.

José Celso Martinez Corrêa no teatro brasileiro.

Nome e Acaso

O nome “Tropicalismo” foi cunhado por Hélio Oiticica em 1967.

O movimento surgiu da união de artistas brasileiros no contexto do Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record e TV Globo.

A apresentação de “Alegria, Alegria” por Caetano Veloso e “Domingo no Parque” por Gilberto Gil e Os Mutantes marcou o início da Tropicália.

Fim e Exílio

O movimento chegou ao fim com as detenções de Gil e Veloso e o subsequente exílio dos músicos baianos por quase três anos.

Rock Nacional

A Consolidação do Rock Nacional

Após esses movimentos, o rock brasileiro só cresceu, trazendo grandes nomes que marcaram a história da música brasileira em cada geração.

Raul Seixas, considerado um dos precursores do rock nacional, foi um dos pioneiros a incorporar elementos brasileiros em suas composições, criando um estilo próprio e revolucionário.

Nos anos 80, o rock brasileiro viveu um grande boom com bandas como Legião Urbana, que marcaram o público com letras de protesto e romantismo de Renato Russo.

Outras bandas icônicas dessa época incluem Paralamas do Sucesso, Titãs, e Barão Vermelho, que ajudaram a definir o rock com a “cara do Brasil”.

A cena do rock brasileiro nos anos 80 foi um período incrivelmente vibrante e cheio de inovação.

Marco Inicial

O início da história do rock nacional dos anos 80 pode ser atribuído ao single “Perdidos na Selva”, da banda Gang 90 e as Absurdettes, que explodiu em 1981.

Além disso, o grupo carioca Blitz também é considerado pioneiro nessa década. Curiosamente, 30 mil exemplares do vinil de seu primeiro álbum, “As Aventuras da Blitz 1” (1982), foram riscados à mão pela banda para evitar a censura da Ditadura Militar.

O rock nacional dos anos 80 foi um verdadeiro caldeirão de influências. Da new wave ao pós-punk, com elementos de blues e até mesmo technopop, as bandas forjaram sua própria identidade musical.

Nomes como Os Paralamas do Sucesso, Titãs, Barão Vermelho e Legião Urbana ganharam destaque. Os Paralamas, influenciados por The Police, e a Legião Urbana, claramente inspirada em Joy Division e The Smiths, marcaram essa época.

Letras Contestadoras

Não era apenas a musicalidade que se destacava. As letras das músicas eram contestadoras e refletiam a ânsia dos jovens por mudanças sociais e políticas.

O rock nacional dos anos 80 expressava angústias, desejos por revolução e uma busca pela liberdade de expressão.

Filmes e Figuras Carimbadas

A década de 80 também viu o surgimento de filmes que retratavam a cena do rock brasileiro, como Bete Balanço (1984), Rock Estrela (1986) e Rádio Pirata (1987).

Além das bandas mencionadas, artistas como Lobão, Lulu Santos, Leo Jaime, Kid Abelha, Ritchie, Biquini Cavadão, Engenheiros do Hawaii e muitos outros deixaram sua marca na música dessa época.

O Rock Brasileiro: Uma Jornada de Inovação e Identidade

O rock brasileiro é muito mais do que um gênero musical. É uma jornada de inovação, resistência e identidade.

Desde os primeiros acordes de Nora Ney ao som revolucionário da Tropicália, passando pela energia da Jovem Guarda e pelas letras contestadoras dos anos 80, o rock com a nossa cara sempre encontrou maneiras de se reinventar.

Hoje, as novas bandas e artistas mantêm essa chama acesa. Eles misturam influências, exploram sonoridades e nos lembram que o rock é uma linguagem universal.

Mesmo em tempos de mudança, ele permanece como um grito de liberdade, um convite à reflexão e uma trilha sonora para nossas vidas.

Então, quando você ouvir uma guitarra distorcida ou sentir o ritmo pulsante de uma bateria, lembre-se: o rock brasileiro está vivo, pulsando em nossas veias e ecoando pelas ruas. Ele é nosso, com todas as suas nuances, paixões e histórias.

E assim, encerramos nossa viagem pelo passado e presente desse gênero que nos move. Até a próxima nota, até o próximo acorde!

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